Pagar a
estudantes de concelhos do interior do país viagens pelo mundo quando acabam o
ensino secundário.
É esta a aposta, inédita no país, de um empresário que há
seis anos doou metade do património para erguer uma fundação para dinamizar a
aldeia dos avós, Lapa do Lobo, na Beira Alta.
A fundação –
financiada pelo empresário Carlos Torres para dinamizar e apoiar iniciativas
culturais e de educação nos concelhos de Carregal do Sal e Nelas.
Uma
iniciativa única entre as cerca de 500 fundações portuguesas, das quais cerca
de 200 de iniciativa privada. «É certamente um projecto inédito, que é muito
útil numa altura em que a maioria das Fundações se debate com falta de dinheiro
para este tipo de apoios», diz ao SOL o presidente da assembleia geral do
Centro Português de Fundações, Carlos Monjardino.
A ideia
surgiu ao empresário Carlos Torres por acaso durante um encontro com estudantes
do ensino secundário organizado pela fundação que criou em 2007 para dinamizar
a Lapa do Lobo, aldeia com apenas 700 habitantes. «Ouvi uma palestra de um
aluno do 12º ano da secundária de Carregal do Sal, o Gonçalo, que dizia que o
seu maior sonho era poder fazer um gap year – uma pausa de um ano nos estudos
para viajar antes de entrar na universidade», explica. E decidiu pagar-lhe a
viagem.
Gonçalo Azevedo Silva e o colega Tiago Marques, então com 18 anos,
iniciaram um gap year. Entre Dezembro de 2011 e Junho de 2012 percorreram a
Austrália, Nova Zelândia, Brasil, China, Nepal Índia, Indonésia e Timor e
vários países europeus. «Quis dar a alguns estudantes com 18 anos a
oportunidade de fazer a viagem que eu adoraria ter feito», conta o
administrador da Resul, empresa de equipamentos e soluções de energia.