Em Detroit, no Michigan (EUA), Gary Wozniak criou uma iniciativa
agrícola para combater o elevado desemprego da região. Chama-se Recovery
Pack e contrata essencialmente ex-reclusos e toxicodependentes.
Tudo começou em 2008, quando Gary pediu financiamento a vários grupos
filantrópicos locais para ver nascer uma das maiores quintas daquele
estado: o Recovery Park.
O ex-consultor financeiro decidiu deitar mãos à obra e criar um espaço
onde, atualmente, se reúnem três grandes projetos agrícolas: uma quinta
urbana (que se estendem ao longo de mais de 1.000 hectares), um centro
de processamento de alimentos e uma piscicultura interior.
Mas a ação do Recovery Park vai mais além do que uma mera iniciativa
agrícola. Segundo o Huffington Post, Gary, ex-toxicodepente, passou três
anos e meio da sua vida na prisão por tráfico de droga e enfrentou as
dificuldades que um ex-recluso tem de voltar a integrar o mercado de
trabalho.
Com o Recovery Park (Parque da Recuperação, em português), o
norte-americano quer ajudar aqueles que, como ele, enfrentam grandes
barreiras na procura de emprego e, como tal, contrata essencialmente
ex-reclusos e toxicodependentes.
18 mil empregos em 20 anos
Embora o projeto esteja ainda numa fase de arranque, Gary acredita
que, dentro de 20 anos, será capaz de empregar 18 mil funcionários,
reduzindo significativamente a taxa de desemprego da região que se
encontra, atualmente, nos 23%.
As perspetivas apontam para que, até ao fim do ano, seja lançada a
primeira quinta do Recovery Park, com 12 hectares de área. Nos próximos
anos, além da criação de várias quintas interiores, um pouco por toda a
cidade de Detroit, Gary quer garantir a inclusão social e oferecer
emprego a um grande número de pessoas com dificuldades, que farão parte,
não só da produção de alimentos, como também acompanharão o seu
processamento e marketing.
Com o Recovery Park, Gary pretende abastecer as mercearias e
restaurantes da região com alimentos frescos. O objetivo é que todos os
produtos sejam entregues num prazo de 48h a todos os clientes num raio
de 97km, começando pelo fornecimento de verduras e ervas, passando, mais
tarde, às frutas e legumes.
A organização sem fins lucrativos pretende ainda funcionar como uma
incubadora de empresas, as quais terão de pagar uma taxa de
licenciamento e de concordar em fazer parte da comunidade empresarial
RecoveryPark.