Cerca de 30 por cento da fruta produzida em Portugal e no resto da
Europa vai para o lixo. É fruta própria para consumo mas que
esteticamente não cumpre as normas do mercado. O projeto Fruta Feia quer
começar, já em Setembro, a resgatar esta fruta (e vegetais), para
combater o desperdício e promover uma economia mais sustentável.
Podem ser deliciosos mas vão parar ao lixo só porque são pequenos ou
grandes demais, porque têm uma forma estranha ou manchas e pintas na
casca. Isabel Soares, uma das mentoras do projeto Fruta Feia,
explica que "esta fruta vai para o lixo, ou
simplesmente não é colhida dos campos, sendo que alguma vai para o
gado".
É verdade que "a Indústria dos sumos e compotas compra alguma fruta feia mas a um preço que torna este negócio economicamente inviável para os agricultores, já que o preço pago pelo quilo não cobre o custo de produção", acrescenta.
Na Europa, o desperdício de produtos hortofrutícolas próprios para consumo ronda os 30 por cento. Em Portugal, um milhão de toneladas de alimentos por ano, ou seja, 17% do que é produzido, vai para o lixo (segundo o relatório do PERDA apresentado em Dezembro de 2012). Além da questão alimentar, este é também um problema ambiental e económico uma vez que a produção destes alimentos envolve gastos em terrenos, energia e água.
Primeiros cabazes planeados para Setembro
Este desperdício tem os dias contados em Portugal, graças ao
projeto Fruta Feia. E é já em Setembro que a futura Cooperativa dos
Anjos pretende por à venda, uma vez por semana, os primeiros cabazes de
fruta feia, num espaço cedido pela Casa Independente, no largo do
Intendente, em Lisboa.
A responsável adianta que o projeto Fruta Feia tem já "cinco
agricultores da região de Lisboa e Vale do Tejo interessados em
trabalhar com o projeto, fornecendo semanalmente frutas e hortaliças
formalmente desadequadas à Cooperativa-piloto dos Anjos".
Para minimizar os custos ambientais e económicos, a cooperativa
pretende ir buscar os seus produtos a agricultores locais. "A ideia é
que todos juntos consigam fornecer produtos fruto-hortícolas capazes de
compor uma cesta variada e da época que assegure o consumo semanal dos
nossos sócios em termos de fruta e verduras", sublinha Isabel.
Quanto ao preço, a Fruta Feia ainda não definiu o valor dos cabazes "para não correr o risco de não cumprir posteriormente as expectativas" mas Isabel adianta que será um preço fixo por quilo que será multiplicado pelos vários tamanhos disponíveis das cestas: pequena (3Kg), média (5Kg) ou grande (7,5Kg).