A Fundação do actor Michael J. Fox atribuiu 250 mil dólares (192 mil
euros) a uma equipa da Universidade de Coimbra que está a estudar o
papel do sistema imunitário na doença de Parkinson, foi hoje anunciado.
"A
intervenção do sistema imunitário, mais especificamente as implicações
de mutações genéticas nos linfócitos B, na doença de Parkinson, está a
ser estudada, pela primeira vez, por uma equipa de investigadores da
Universidade de Coimbra (UC), através do Centro de Neurociências e
Biologia Celular (CNC), da Faculdade de Medicina (FMUC) e do Centro
Hospitalar e Universitário (CHUC)".
Nota de imprensa da UC explica
também que "os linfócitos B (ou células B) são células do sistema
imunitário com uma dupla função: produzem anticorpos contra os agentes
causadores de doenças e participam na regulação da resposta imunitária
através da interacção com outras células".
"No entanto, quando
sofrem mutações genéticas, as suas funções podem ser afectadas, passando
os linfócitos B a ter um papel importante no agravamento da doença",
esclarece a UC.
A Universidade de Coimbra diz que a equipa de
investigadores focou-se no estudo da "mutação do gene LRRK2 (envolvida
na comunicação dos linfócitos B e com outras células), encontrada em
pacientes com a doença de Parkinson".
Numa primeira fase, adianta
ainda a Universidade, através da análise de amostras de sangue de
doentes de Parkinson, com e sem a mutação, e de voluntários saudáveis,
descobriu-se que "a mutação parece estimular a morte precoce das células
B, dificultando a sua comunicação com outras células do sistema
imunitário".
"Verificámos também que a mutação do gene faz com que
as células B produzam anticorpos auto-reactivos contra uma proteína do
sistema nervoso central - a alfa-sinucleína (proteína que ajuda na
estabilização estrutural dos neurónios), tornando as estruturas do
sistema nervoso como alvos a abater", afirma Margarida Carneiro,
coordenadora do estudo, citada na nota de imprensa da UC.
Esta
investigadora esclarece igualmente que, sabendo que, ao ser mutado, o
gene "comandante" (LRRK2) da "cascata" de sinalização de informação nos
linfócitos B fica hiperactivo e envia excesso de sinais, provocando uma
reacção desmedida em cadeia, vai agora tentar perceber-se como se
processa este "curto-circuito", com o "objectivo de encontrar uma forma
de bloquear a sinalização em excesso e evitar a destruição
indiscriminada de células do sistema nervoso porque, ao produzir
demasiadas células auto-reactivas, o sistema imunitário fica
desregulado".
A mutação das LRRK2, nota a UC, "afecta um conjunto
de células e os linfócitos B deixam de cumprir a sua missão, passando a
contribuir para a destruição do cérebro".
"Ao entender como tudo
se passa, podemos avançar para o desenvolvimento de terapias capazes de
destruir os linfócitos desregulados, permitindo, assim, desacelerar a
progressão da doença de Parkinson», explica a investigadora.
Michael
J. Fox, que começou a celebrizar-se pela sua participação na série
"Quem sai aos seus" (Family Ties, no original) e ainda na saga "Regresso
ao Futuro", revelou em 1998 que sofria de Parkinson, doença que lhe foi
diagnosticada sete anos antes.
Desde então, o actor criou uma
fundação que se propõe apoiar o desenvolvimento para a cura da doença,
tendo já distribuído mais de 250 milhões de dólares, desde 2000.